Realizado pelas alunas: Andressa Costa, Júlia Miranda, Sloana Lemos, Thais Lima.
O que significa refletir sobre a História da ciência no âmbito do ensino?
O que significa refletir sobre a História da ciência no âmbito do ensino?
Vive-se
em uma sociedade de conhecimentos múltiplos e de aprendizado contínuo, na qual
é importante que o estudante não seja sobrecarregado em informações, mas sim, estimulado
a ter a capacidade de entendê-las, e torna-se apto a critica-las, para que
possam analisar as diversas perspectivas, teorias e interpretações várias e
criar seu próprio ponto de vista. Os alunos precisam aprender a aprender.
Dentro
desse contexto:
A
educação tem por propósito maior a preparação dos indivíduos para a vida,
capacitando-os para a realização pessoal e instrumentalizando-os para uma
existência dignificante. De sua parte, o ensino da Ciência - compreendendo os
preceitos da Ciência, Matemática e Tecnologia - deve ajudar os alunos a
desenvolverem os conhecimentos e hábitos da mente imprescindíveis para a
formação de cidadãos capazes de pensar criticamente e enfrentar os desafios da
vida. Deve também prover aos mesmos das condições necessárias para o
pleno exercício da cidadania, visando a construção e defesa de uma sociedade
justa e democrática.
Descrição do grupo de estudos sobre Educação
Científica, Academia Brasileira de Ciências. (Acessado em 06 de fevereiro de
2014, em: http://www.abc.org.br/rubrique.php3?id_rubrique=89.)
O trecho acima só
reforça a necessidade de preparar os estudantes para entender e usufruir do
contínuo avanço tecnocientífico, permitindo que estes consigam identificar
problemas e limites relacionados ao seu uso indevido. Vive-se, portanto, uma
época de rupturas com modelos arcaicos de educação, sendo importante integrar o
conhecimento específico de Ciências aos conhecimentos pedagógicos, numa visão
dinâmica e holística, por meio de métodos interdisciplinares (PEREIRA et al.,
2012).
O modelo de desenvolvimento
capitalista estabelecido sobre uma profunda industrialização do processo
produtivo, levou-nos por meio da cultura de massas ao culto do consumo
desenfreado, o qual leva a sociedade a ignorar os custos
sociais e ambientais desse desenvolvimento. Em decorrência disto, as
problemáticas socioambientais associadas às novas formas de produção, passaram
a ser mais discutidas e na medica em que impactam sobre o meio ambiente e à
saúde das populações, passaram a ter presença nos currículos de Ciências
Naturais, mesmo que com abordagens em diferentes níveis de profundidade
(BRASIL, 1998).
No trecho a seguir
retirado dos Parâmetros Curriculares Nacionais, de 5ª a 8ª séries (BRASIL,
1998) verificamos essa tendência.
No ensino de Ciências
Naturais, a tendência conhecida desde os anos 80 como Ciência, Tecnologia e
Sociedade (CTS), que já se esboçara anteriormente e que é importante até os
dias de hoje, é uma resposta àquela problemática. No âmbito da pedagogia geral,
as discussões sobre as relações entre educação e sociedade se associaram a
tendências progressistas, que no Brasil se organizaram em correntes importantes
que influenciaram o ensino de Ciências Naturais, em paralelo à CTS, enfatizando
conteúdos socialmente relevantes e processos de discussão coletiva de temas e
problemas de significado e importância reais. Questionou-se tanto a abordagem
quanto a organização dos conteúdos, identificando-se a necessidade de um ensino
que integrasse os diferentes conteúdos, com um caráter também interdisciplinar,
o que tem representado importante desafio para a didática da área.
Bizzo,
1999, destaca o impacto de diferentes pontos de vista sobre a questão do ensino
de ciência nas escolas, seja a visão dos pais, professores, alunos, diretores,
autores de livros didáticos, o que há em comum entre tantas perspectivas, é
que, de um lado existe uma concepção de educação, a qual se propõem a fazer uma
geração enfrentar o mundo que encontrará pela frente e de outro lado, há uma
concepção do que é ciência, e de como essa expressão humana deve ser
vista. Dentro desse contexto, estes
diferentes personagens defendem concepções de educação e ciências que têm sido
objetos frequentes de controvérsias.
Chalmers,
1993, em seu livro intitulado “O que é Ciência afinal?” frequentemente se
reporta a filosofia e a história da ciência como meios de esclarecimentos sobre
a humanidade da ciência e consequentemente a sua falibilidade:
Alguns dos argumentos para defender a afirmação de
que teorias científicas não podem ser conclusivamente provadas ou desaprovadas
se baseiam amplamente em considerações filosóficas e lógicas. Outros são
baseados em uma análise detalhada da história da ciência e das modernas teorias
científicas.
Tem sido uma característica do desenvolvimento
moderno nas teorias do método científico que uma atenção crescente venha sendo
prestada à história da ciência. Um dos resultados embaraçosos para muitos
filósofos da ciência é que esses episódios na história da ciência – comumente
vistos como mais característicos de avanços importantes, quer as inovações de
Galileu, Newton e Darwin, quer as de Einstein – não se realizaram através de
nada semelhante aos métodos tipicamente descritos pelos filósofos.
Uma reação à percepção de que teorias científicas
não podem ser conclusivamente provadas ou desaprovadas e de que as
reconstruções dos filósofos guardam pouca semelhança com o que realmente ocorre
na ciência é desistir de uma vez da ideia de que a ciência é uma atividade
racional, que opera de acordo com algum método ou métodos especiais.
A ciência não tem características especiais que a
tornem intrinsecamente superior a outros ramos do conhecimento tais como mitos
antigos ou vodu. A ciência deve parte de sua alta estima ao fato de ser vista
como a religião moderna, desempenhando um papel similar ao que desempenhou o
cristianismo na Europa em eras antigas. E sugerido que a escolha entre teorias
se reduz a opções determinadas por valores subjetivos e desejos dos indivíduos.
O
Crescente interesse do ensino de ciências numa abordagem contextual e
multidisciplinar fundamenta suas pesquisas nos componentes históricos,
filosóficos, sociais e culturais da ciência (PRESTES e CALDEIRA, 2009). Os
textos históricos nos permitem situar no tempo os cientistas e seus feitos,
descrevendo seus estudos, suas pesquisas e suas descobertas. Assim, revelam que
a ciência está em constante desenvolvimento e intrinsecamente ligada a
expressão humana.
Martins
e Ferreira, (s/d) apontam de que modo elementos históricos
e filosóficos podem contribuir, teórica e metodologicamente, à aprendizagem de
temas e conceitos da ciência:
·
A História e a Filosofia da Ciência
auxiliam na compreensão dos conteúdos específicos;
·
A História e a Filosofia da Ciência
auxiliam os professores a compreenderem as dificuldades de aprendizagem dos
estudantes;
·
A História e a Filosofia da Ciência
contribuem à fundamentação teórica da Didática das Ciências;
Prestes
e Caldeira, 2009, se referindo ao Projeto
2016, da AAAS (American Association
for the Advancement of Science), falam que uma melhor compreensão da
natureza da ciência é apresentada como a componente central da alfabetização
científica, e que a História da Ciência seria uma das ferramentas mais
adequadas para se atingir essa meta no ambiente escolar.
Michael
Matthews, fundador da Science &
Education, Periódico dedicado às abordagens históricas, filosóficas e
sociológicas no ensino/aprendizagem de ciências e matemática, identifica alguns
argumentos encontrados na literatura, os quais esclarecem as vantagens de se
adotar o ensino da História das Ciências nos programas curriculares de ciências:
·
A História promove melhor compreensão
dos conceitos científicos e métodos;
·
Abordagens históricas conectam o
desenvolvimento do pensamento individual com o desenvolvimento das ideias
científicas;
·
A História da Ciência é intrinsecamente
valiosa. Episódios importantes da História da Ciência e Cultura – a revolução
científica, o darwinismo, a descoberta da penicilina etc. – deveriam ser
familiares a todo estudante;
·
A História é necessária para entender a
natureza da ciência;
·
A História neutraliza o cientificismo e
dogmatismo que são encontrados frequentemente nos manuais de ensino de ciências
e nas aulas.
·
A História, pelo exame da vida e da
época de pesquisadores individuais, humaniza a matéria científica, tornando-a
menos abstrata e mais interessante aos alunos;
·
A História favorece conexões a serem
feitas dentro de tópicos e disciplinas científicas, assim como com outras
disciplinas acadêmicas;
·
A História expõe a natureza integrativa
e interdependente das aquisições humanas (MATTHEWS, 1994, p. 50. Apud PRESTES e
CALDEIRA, 2009).
Por
outro lado, Martins e Ferreira, (ano?) relatando os resultados de pesquisa
realizada por Martins, 2007, evidenciam a existência de um “abismo” entre o
valor atribuído à História e Filosofia da Ciência e sua efetiva utilização, com
qualidade, como conteúdo e estratégia didática nas salas de aula do Nível Médio
(MARTINS, 2007).
Na
sequência, as principais respostas dadas pelos professores Quando perguntados
acerca das dificuldades para se trabalhar com a perspectiva
histórico-filosófica no Nível Médio (em ordem decrescente de número de
citações):
· A falta de material didático adequado; a pouca presença desse tipo de conteúdo nos livros existentes;
· O currículo escolar voltado para os exames vestibulares; os conteúdos exigidos pelas escolas;
· O pouco tempo disponível para isso;
· Vencer a resistência dos alunos e da própria escola, apegados ao ensino “tradicional”;
· A formação dos professores; a falta de preparo do professor;
· O pouco interesse dos alunos;
· O planejamento e a execução das aulas em si; a possibilidade de a aula ficar “cansativa” ou “monótona”;
· A falta de interesse ou vontade do professor;
· O pouco hábito de leitura dos alunos; a dificuldade dos textos;
· A falta de interdisciplinaridade;
· O custo dos livros.
· A falta de material didático adequado; a pouca presença desse tipo de conteúdo nos livros existentes;
· O currículo escolar voltado para os exames vestibulares; os conteúdos exigidos pelas escolas;
· O pouco tempo disponível para isso;
· Vencer a resistência dos alunos e da própria escola, apegados ao ensino “tradicional”;
· A formação dos professores; a falta de preparo do professor;
· O pouco interesse dos alunos;
· O planejamento e a execução das aulas em si; a possibilidade de a aula ficar “cansativa” ou “monótona”;
· A falta de interesse ou vontade do professor;
· O pouco hábito de leitura dos alunos; a dificuldade dos textos;
· A falta de interdisciplinaridade;
· O custo dos livros.
(MARTINS, 2007)
Conclusão
O processo de ensino-aprendizagem das ciências se apresenta como um tema repleto de questionamentos, assim como demandas relacionadas a novas abordagens pedagógicas. O uso de novas tecnologias, contexto socioeconômico cultural e a busca por uma interdisciplinaridade integradora torna esse processo ainda mais complexo, tendo assim a obrigação de ser adaptável frente as exigências de cada geração a fim de facilitar o despertar para a educação científica.
Verbetes
§ Aprendizagem:
1. Capacidade de adquirir as habilidades necessárias para entender, interpretar
e julgar o conhecimento científico; 2. Reconstruir em nível pessoal os produtos
e processos culturais com o fim de se apropriar deles; 3. Exercício de comprar
e diferenciar modelos, não aderir saberes absolutos e verdadeiros.
§ Ensinar:
Processo de transformação da mente de quem aprende;
§ Ciência:
1. Processo socialmente definido de elaboração de modelos para interpretar a
realidade; 2. Saber histórico e provisório.
§ Conhecimento
científico: Modelos e teorias elaboradas por cientistas para tentar dar sentido
à realidade.
Referências
BIZZO,
Nélio. Ciências: fácil ou difícil? São Paulo, Ática, 1999.
BRASIL.
Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais 5ª a
8ªséries: Ciências Naturais. Brasília: MEC/SEF, 1998.
CHALMERS,
A. F. O que é Ciência, afinal? São
Paulo: Brasiliense, 1993.
Descrição
do grupo de estudos sobre Educação Científica, Academia Brasileira de Ciências.
(Acessado em 06 de fevereiro de 2014, em: http://www.abc.org.br/rubrique.php3?id_rubrique=89.)
MARTINS, A. F. P. História e filosofi a
da ciência no ensino: há muitas pedras nesse caminho... Caderno Brasileiro de
Ensino de Física, v. 24, n. 1, p. 112-131, 2007.
MARTINS, André Ferrer P.; FERREIRA, Juliana
Mesquita Hidalgo. A história e a filosofia da ciência no ensino de ciências. (s/d).
MATTHEWS, M. R. Science
teaching: the role of History and Philosophy of Science. New York:
Routledge, 1994.
PRESTES, Maria Elice Brzezinski; CALDEIRA, Ana
Maria de Andrade. Introdução. A importância da história da ciência na educação
científica. Filosofia e História da Biologia, v. 4, p. 1-16, 2009.
PEREIRA, Elienae Genésia Corrêa; Lucia Rodriguez de
La Rocque; Helena Amaral da Fontoura. Educação ambiental e o ensino de
ciências: uma proposta de ampliação da ação docente. III Encontro Nacional de
Ensino de Ciências da Saúde e do Ambiente Niterói/RJ, 2012.


