Realizado pelos alunos:
Alexsandro Alberto, André Oliveira, Andressa Melo, Angelo Iumatti, José
Rodrigo, Raquel Feitosa, Renato Costa e Rivaldo Lins
Introdução
O conhecimento científico pretende entender a natureza e o
universo em que vivemos por meio de elementos que se pode conhecer, concretos e
objetivos. Baseia-se em justificativas razoáveis, em uma abordagem
demonstrativa, com argumentos práticos, experimentais e generalizações.
Destituindo-se do pensamento mítico para explicações das coisas e do pensamento
religioso. Assim, a ciência moderna buscou outra maneira de explicar o mundo e
encontrou no empirismo-indutivismo a construção do método científico, uma maneira
estrutural e sistemática de organizar e validar experimentalmente o
conhecimento. Mas, na contemporaneidade diversos filósofos tentaram dar um
sentido diferente para a natureza dessa ciência ao voltarem a questionar como
esse conhecimento foi construído. Para eles, a ciência não é uma descrição
verdadeira da realidade. A ciência é mais uma religião, com seus rituais,
crenças, dogmas, seitas concorrentes e sacerdócios. Eles assumiram a missão de
desconstruir o templo da ciência, expor a verdadeira natureza do conhecimento
científico – reduzido ao status de conhecimento comum – e desmistificar as
práticas dos cientistas como verdade absoluta.
Nesse sentido, entende-se por ciência como um sistema de códigos
adquiridos pelo sujeito epistêmico em sua relação com o objeto em estudo. Dessa
forma, os filósofos procuraram classificar racionalmente os saberes para as
ciências. Para isso, buscamos explanar as principais classificações dadas no
decorrer do tempo, da Grécia à modernidade, a saber:
a) A Classificação de Aristóteles, a qual distribui as
diversas ciências em teóricas (Física, Matemática, Metafísica) e práticas
(Lógica e Moral).
b) A
Classificação de Bacon, que divide as ciências segundo as faculdades das quais
fazem intervir: ciências de memória (história), de imaginação (poesia), de
razão (filosofia).
c) A
Classificação de Ampère, que distingue as ciências em cosmológicas (ou ciências
da natureza) e noológicas (ou ciências do espírito).
d) A
Classificação de Augusto Comte, a qual classifica segundo sua complexidade
crescente e sua generalidade decrescente, como a ordem seguinte: Matemática,
Mecânica, Física, Química, Biologia, Psicologia, Sociologia.
e) Na
Classificação de Spencer, existem as ciências abstratas, abstrato-concretas e
concretas.
f) Já
na Classificação Moderna, as ciências são exatas, humanas ou naturais; e estas
ainda podem compor categorias que distinguem as ciências como formais (exatas e
tecnológicas) e factuais (naturais e humanas).
Nesse contexto,
entendemos o homem como um ser pensante e conhecedor de sua natureza, na medida
em que busca o conhecimento do universo para sua sobrevivência, e que conhece e
pensa, analisa e interpreta as relações entre o objeto e o meio. Vendo o objeto
e o conhecendo, conhece o que vê e pensa sobre o que viu e o que não viu,
buscando respostas para as dúvidas não explicadas pelo conhecimento empírico.
Que busca o domínio da natureza e luta por novas descobertas que podem
influenciar a sua vida. Assim, o mundo em que vivemos é resultado das
interpretações e investigações dos nossos antepassados, restando-nos usufruir
destas conquistas e realizar novas investigações que possam garantir o bem
estar futuro, com mudanças e melhorias e novas descobertas (RUIZ, 1996).
O que Ensinar em Ciências Naturais?
A organização do ensino de Ciências sofreu nos últimos anos inúmeras propostas de transformação. Em geral, as mudanças apresentadas têm o objetivo de melhorar as condições da formação do espírito científico dos alunos em vista das circunstâncias histórico-culturais da sociedade. Busca situar a ciência e o seu ensino no tempo e no espaço vigente, enfatizando em cada momento um aspecto considerado mais relevante na forma de o homem entender e agir cientificamente no mundo por meio de um conhecimento que, de modo geral, está além do senso comum.
A precariedade da
formação científica fez com que a educação científica se tornasse prioridade
diante das questões emergentes posta pelo mundo. Sendo assim, buscou-se uma
alfabetização científica democrática (TESTART, 2005). Até os anos 60 o ensino
de Ciências passou por uma longa fase em que a ciência era apresentada como
neutra e o importante eram os aspectos lógicos da aprendizagem e a qualidade
dos cursos era definida pela quantidade de conteúdos conceituais transmitidos,
baseado em um modelo de ensino tradicional. Nos anos seguintes valorizou-se a
participação do aluno no processo de aprendizagem do método científico através
de atividades práticas de laboratório, tendo como base o modelo de ensino por
descoberta.
Na década de 70, com
a crise econômica mundial e os problemas relacionados com o desenvolvimento
tecnológico fizeram surgir no ensino de Ciências um movimento pedagógico que
ficou conhecido como “ciência, tecnologia e sociedade” (CTS). Essa tendência no
ensino é importante até os dias de hoje, acrescida dos aspectos da educação
ambiental, formando o movimento ciência, tecnologia, sociedade e ambiente
(CTSA), pois leva em conta a estreita relação da ciência com a tecnologia e a
sociedade, aspectos que não podem ser excluídos de um ensino que visa formar
cidadãos (DUARTE, 2005). Já nos anos 80 a atenção passou a ser dada ao processo
de construção do conhecimento científico pelo aluno, baseada no modelo de
ensino por investigação.
A tendência atual da
disciplina é fazer com que o aluno observe, pesquise em diversas fontes,
questione e registre para aprender! Por quê? Essa é uma das perguntas que as
crianças fazem com bastante frequência. Elas têm curiosidade em saber a origem
das coisas e as causas dos fenômenos da natureza e em explorar aquilo que lhes
parece diferente, intrigante. A disciplina de Ciências, quando bem trabalhada
na escola, ajuda os alunos a encontrar respostas para muitas questões e faz com
que eles estejam em permanente exercício de raciocínio, cuja direção os
auxiliará na tomada de decisões. Mas, a realidade das escolas brasileiras não
se configura dessa maneira, uma vez que o fracasso dos estudantes, diante do
modelo de ensino-aprendizagem proposto pelos professores, tem como uma de suas
principais causas a maneira de ensinar as disciplinas, apoiada em concepções
equivocadas (visões distorcidas) e que não despertam o interesse das turmas
(POZO; CRESPO, 2009).
Diante disso, nas
pesquisas em didática das ciências, começaram a emergir alguns critérios
anteriormente não considerados por esse programa de pesquisa: os conteúdos
procedimentais e axiológicos. Esse novo campo do saber se estrutura para
atender a questão da aprendizagem da ciência na formação do cidadão crítico e
reflexivo de sua realidade, e para investigar o porquê dessa situação, de tanta
desistência e desinteresse pela ciência, visto que a sociedade atual se
organiza a partir de questões científicas e tecnológicas (POZO; CRESPO, 2009).
Assim, a percepção
sobre a importância da área de Ciências na escola e na formação dos alunos é
relativamente recente. Basta notar como ela demorou, para que pudesse ser
incorporada ao currículo. Na concepção que vigorou do século dezenove à década
de 1950, impregnada de ideias positivistas, predominava o pensamento de que
essa área do conhecimento era sempre neutra em suas descobertas e que os
saberes delas decorrentes seriam verdades únicas e definitivas. E, comumente
estudada por outros campos, como na psicologia a partir dos trabalhos de Piaget
com a teoria da equilibração (PIAGET, 1977).
Portanto, ensinar
ciências envolve problemas peculiares, relacionados ao cotidiano que favorecem
um diálogo entre os saberes construídos pelos alunos ao trazerem sua cultura,
seu conhecimento de mundo (senso comum) para serem postos em sala de aula e
reestruturados com base na linguagem científica pelo intermédio do professor.
Além disso, as questões globais que envolvem a sociedade, tecnologia e ambiente
com o próprio desenvolvimento científico, a abordagem CTSA. Por isso,
entende-se o ensino de ciências e a formação docente como atividades complexas
e estratégicas para o desenvolvimento do país (NASCIMENTO; FERNANDES; MENDONÇA,
2010).
Síntese das Metodologias e Cronologia do Ensino de Ciências
METODOLOGIAS mais comuns dos últimos 50
anos no Ensino de Ciências, que adotam estratégias diferentes:
TRADICIONAL - Também chamada de
conteudista ou convencional. Predominou desde o século 19 até 1970 e, embora
não seja considerada a mais adequada para as práticas atuais, ainda é adotada.
Foco: Tomar contato com os conhecimentos existentes sobre determinado tema.
Estratégia de ensino: Aulas expositivas, sendo o professor e o livro didático
as únicas fontes de informação. Incentivo à memorização de definições. A
experimentação em laboratório serve para comprovar a teoria.
TECNICISTA - Surgiu na década de 1980
para se contra por à concepção tradicional. Foco: Reproduzir o método
científico. Estratégia de ensino: Aulas experimentais, em laboratório, com
ênfase na reprodução dos passos feitos pelos cientistas.
INVESTIGATIVA - Criada por volta de
1990, mesclou algumas características das concepções anteriores e colocou o
aluno no centro do aprendizado. Foco: Resolução de problemas que exigem
levantamento de hipóteses, observação, investigação, pesquisa em diversas
fontes e registros ao longo de todo o processo de aprendizagem. Estratégia de
ensino: Apresentação de situação-problema para que o aluno mobilize seus
conhecimentos e busque meios de resolvê-la. Disponibilização de várias fontes
de pesquisa.
Linha do Tempo do Ensino de Ciências no
Brasil
1879 - É fundada a
Sociedade Positivista do Rio de Janeiro. Professores seguem o pressuposto de
que o aluno descobre as relações entre os fenômenos naturais com observação e
raciocínio.
1930 - A Escola Nova
propõe que o ensino tenha por base a Sociologia, Psicologia e Pedagogia
modernas. A influência desses pensamentos não modifica a maneira tradicional de
ensinar.
1950 - Os livros
didáticos são versões desatualizadas de produções europeias, e quem leciona a
disciplina são profissionais liberais. Vigora a metodologia tradicional,
baseada em exposições orais.
1955 - Cientistas
norte-americanos e ingleses fazem reformas curriculares do Ensino Básico,
incorporam o conhecimento técnico-científico ao currículo. Algumas escolas
brasileiras começam a seguir a tendência.
1960 - A metodologia
tecnicista chega ao país, defendendo a reprodução de sequências padronizadas e
de experimentos, que devem ser realizados tal como os cientistas os fizeram.
1961 - Com a Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), passou-se a ser obrigatório o
ensino de Ciências para todas as séries do Ginásio (hoje do 6º ao 9º ano).
1970 - A Sociedade
Brasileira para o Progresso da Ciência critica a formação do professor em áreas
específicas, como Biologia, Física e Química, e pede a criação da figura do
professor de Ciências. Sem sucesso.
1971 - A LDB torna
obrigatório o ensino de Ciências para todas as séries do 1º Grau (Ensino
Fundamental). O Ministério da Educação (MEC) elabora um currículo único e
estimula a abertura de cursos de formação.
1972 - O MEC cria o
Projeto de Melhoria do Ensino de Ciências para desenvolver materiais didáticos
e aprimorar a capacitação de professores do 2º grau (hoje Ensino Médio).
1980 - As Ciências
são vistas como uma construção humana e não como uma verdade natural. São
incluídos nas aulas temas como tecnologia, meio ambiente e saúde.
1982 - Surge o modelo
de mudança conceitual, que teve vida curta. Ele se baseia no princípio de que
basta ensinar de maneira lógica e com demonstrações para que o aprendiz
modifique ideias anteriores sobre os conteúdos.
1996 - Baseada no
princípio do direito universal à educação para todos, a LDB de 1996 trouxe
diversas mudanças em relação às leis anteriores, como a inclusão da educação
infantil (creches e pré-escolas) como primeira etapa da educação básica.
1997 - Foram criados
os Parâmetros Curriculares Nacionais, PCN, que são diretrizes elaboradas pelo
Governo Federal, a fim de servirem como ponto de partida para o trabalho
docente, norteando as atividades realizadas na sala de aula..
2001 - Convênio entre
as Academias de Ciências do Brasil e da França implementam o programa ABC na
Educação Científica - Mão na Massa para formar professores na metodologia
investigativa. (GARCIA, 1995; BRASIL, 1999; MENEZES, 2001; ARANHA, 2006;
FRACALANZA; MEGID NETO, 2006)
Referências Bibliográficas
ARANHA, M.L.A. História da Educação e
da Pedagogia. São Paulo: Moderna, 2006.
BRASIL. Parâmetros Curriculares
Nacionais/PCN. Brasília: MEC/SEMT, 1999.
DUARTE, L. M. G. Por uma imaginação
socioambiental. Rev. Reportagem, n. 68, p. 48-49, 2005.
FRACALANZA, H.; MEGID NETO, J. O livro
didático de Ciências no Brasil. Campinas: Komedi, 2006. 224 p.
GARCIA, W.E. Inovação educacional no
Brasil: problemas e perspectivas. 3ª ed. Brasília: Autores Associados, 1995.
MENEZES, L.C. Formação continuada de
professores de ciências no âmbito ibero-americano. 2ª ed. Campinas, SP: Autores
Associados; São Paulo, SP: NUPES, 2001.
NASCIMENTO, F. do; FERNANDES, H. L.; MENDONÇA,
V. M. O Ensino De Ciências No Brasil: História, Formação De Professores E
Desafios Atuais. rev. HISTEDBR, 2010.
PIAGET, J. O desenvolvimento do
pensamento. Equilibração das estruturas cognitivas. Lisboa: Dom Quixote, 1977.
POZO, J. I.; CRESPO, M. A. G. A
Aprendizagem e o Ensino de Ciências – do conhecimento cotidiano ao conhecimento
científico. 5ª ed., Ed. Artmed, 2009.
RUIZ, J. A. Metodologia Científica:
Guia para eficiência nos estudos. Ed. 4, São Paulo, Ed. Altas, p. 177, 1996.

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