segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

HISTÓRIA DA CIÊNCIA

     Realizado pelas alunas: Andressa Costa, Júlia Miranda, Sloana Lemos, Thais Lima.

            O que significa refletir sobre a História da ciência no âmbito do ensino?

Vive-se em uma sociedade de conhecimentos múltiplos e de aprendizado contínuo, na qual é importante que o estudante não seja sobrecarregado em informações, mas sim, estimulado a ter a capacidade de entendê-las, e torna-se apto a critica-las, para que possam analisar as diversas perspectivas, teorias e interpretações várias e criar seu próprio ponto de vista. Os alunos precisam aprender a aprender.
Dentro desse contexto: 
A educação tem por propósito maior a preparação dos indivíduos para a vida, capacitando-os para a realização pessoal e instrumentalizando-os para uma existência dignificante. De sua parte, o ensino da Ciência - compreendendo os preceitos da Ciência, Matemática e Tecnologia - deve ajudar os alunos a desenvolverem os conhecimentos e hábitos da mente imprescindíveis para a formação de cidadãos capazes de pensar criticamente e enfrentar os desafios da vida.  Deve também prover aos mesmos das condições necessárias para o pleno exercício da cidadania, visando a construção e defesa de uma sociedade justa e democrática.

Descrição do grupo de estudos sobre Educação Científica, Academia Brasileira de Ciências. (Acessado em 06 de fevereiro de 2014, em: http://www.abc.org.br/rubrique.php3?id_rubrique=89.)


O trecho acima só reforça a necessidade de preparar os estudantes para entender e usufruir do contínuo avanço tecnocientífico, permitindo que estes consigam identificar problemas e limites relacionados ao seu uso indevido. Vive-se, portanto, uma época de rupturas com modelos arcaicos de educação, sendo importante integrar o conhecimento específico de Ciências aos conhecimentos pedagógicos, numa visão dinâmica e holística, por meio de métodos interdisciplinares (PEREIRA et al., 2012).
O modelo de desenvolvimento capitalista estabelecido sobre uma profunda industrialização do processo produtivo, levou-nos por meio da cultura de massas ao culto do consumo desenfreado, o qual leva a sociedade a ignorar os custos sociais e ambientais desse desenvolvimento. Em decorrência disto, as problemáticas socioambientais associadas às novas formas de produção, passaram a ser mais discutidas e na medica em que impactam sobre o meio ambiente e à saúde das populações, passaram a ter presença nos currículos de Ciências Naturais, mesmo que com abordagens em diferentes níveis de profundidade (BRASIL, 1998).
No trecho a seguir retirado dos Parâmetros Curriculares Nacionais, de 5ª a 8ª séries (BRASIL, 1998) verificamos essa tendência.

No ensino de Ciências Naturais, a tendência conhecida desde os anos 80 como Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS), que já se esboçara anteriormente e que é importante até os dias de hoje, é uma resposta àquela problemática. No âmbito da pedagogia geral, as discussões sobre as relações entre educação e sociedade se associaram a tendências progressistas, que no Brasil se organizaram em correntes importantes que influenciaram o ensino de Ciências Naturais, em paralelo à CTS, enfatizando conteúdos socialmente relevantes e processos de discussão coletiva de temas e problemas de significado e importância reais. Questionou-se tanto a abordagem quanto a organização dos conteúdos, identificando-se a necessidade de um ensino que integrasse os diferentes conteúdos, com um caráter também interdisciplinar, o que tem representado importante desafio para a didática da área.

Bizzo, 1999, destaca o impacto de diferentes pontos de vista sobre a questão do ensino de ciência nas escolas, seja a visão dos pais, professores, alunos, diretores, autores de livros didáticos, o que há em comum entre tantas perspectivas, é que, de um lado existe uma concepção de educação, a qual se propõem a fazer uma geração enfrentar o mundo que encontrará pela frente e de outro lado, há uma concepção do que é ciência, e de como essa expressão humana deve ser vista.  Dentro desse contexto, estes diferentes personagens defendem concepções de educação e ciências que têm sido objetos frequentes de controvérsias.
Chalmers, 1993, em seu livro intitulado “O que é Ciência afinal?” frequentemente se reporta a filosofia e a história da ciência como meios de esclarecimentos sobre a humanidade da ciência e consequentemente a sua falibilidade:
Alguns dos argumentos para defender a afirmação de que teorias científicas não podem ser conclusivamente provadas ou desaprovadas se baseiam amplamente em considerações filosóficas e lógicas. Outros são baseados em uma análise detalhada da história da ciência e das modernas teorias científicas.
Tem sido uma característica do desenvolvimento moderno nas teorias do método científico que uma atenção crescente venha sendo prestada à história da ciência. Um dos resultados embaraçosos para muitos filósofos da ciência é que esses episódios na história da ciência – comumente vistos como mais característicos de avanços importantes, quer as inovações de Galileu, Newton e Darwin, quer as de Einstein – não se realizaram através de nada semelhante aos métodos tipicamente descritos pelos filósofos.
Uma reação à percepção de que teorias científicas não podem ser conclusivamente provadas ou desaprovadas e de que as reconstruções dos filósofos guardam pouca semelhança com o que realmente ocorre na ciência é desistir de uma vez da ideia de que a ciência é uma atividade racional, que opera de acordo com algum método ou métodos especiais.
A ciência não tem características especiais que a tornem intrinsecamente superior a outros ramos do conhecimento tais como mitos antigos ou vodu. A ciência deve parte de sua alta estima ao fato de ser vista como a religião moderna, desempenhando um papel similar ao que desempenhou o cristianismo na Europa em eras antigas. E sugerido que a escolha entre teorias se reduz a opções determinadas por valores subjetivos e desejos dos indivíduos.

O Crescente interesse do ensino de ciências numa abordagem contextual e multidisciplinar fundamenta suas pesquisas nos componentes históricos, filosóficos, sociais e culturais da ciência (PRESTES e CALDEIRA, 2009). Os textos históricos nos permitem situar no tempo os cientistas e seus feitos, descrevendo seus estudos, suas pesquisas e suas descobertas. Assim, revelam que a ciência está em constante desenvolvimento e intrinsecamente ligada a expressão humana.
Martins e Ferreira, (s/d) apontam de que modo elementos históricos e filosóficos podem contribuir, teórica e metodologicamente, à aprendizagem de temas e conceitos da ciência:
·         A História e a Filosofia da Ciência auxiliam na compreensão dos conteúdos específicos;
·         A História e a Filosofia da Ciência auxiliam os professores a compreenderem as dificuldades de aprendizagem dos estudantes;
·         A História e a Filosofia da Ciência contribuem à fundamentação teórica da Didática das Ciências;



 Prestes e Caldeira, 2009, se referindo ao Projeto 2016, da AAAS (American Association for the Advancement of Science), falam que uma melhor compreensão da natureza da ciência é apresentada como a componente central da alfabetização científica, e que a História da Ciência seria uma das ferramentas mais adequadas para se atingir essa meta no ambiente escolar.
Michael Matthews, fundador da Science & Education, Periódico dedicado às abordagens históricas, filosóficas e sociológicas no ensino/aprendizagem de ciências e matemática, identifica alguns argumentos encontrados na literatura, os quais esclarecem as vantagens de se adotar o ensino da História das Ciências nos programas curriculares de ciências:
·         A História promove melhor compreensão dos conceitos científicos e métodos;
·         Abordagens históricas conectam o desenvolvimento do pensamento individual com o desenvolvimento das ideias científicas;
·         A História da Ciência é intrinsecamente valiosa. Episódios importantes da História da Ciência e Cultura – a revolução científica, o darwinismo, a descoberta da penicilina etc. – deveriam ser familiares a todo estudante;
·         A História é necessária para entender a natureza da ciência;
·         A História neutraliza o cientificismo e dogmatismo que são encontrados frequentemente nos manuais de ensino de ciências e nas aulas.
·         A História, pelo exame da vida e da época de pesquisadores individuais, humaniza a matéria científica, tornando-a menos abstrata e mais interessante aos alunos;
·         A História favorece conexões a serem feitas dentro de tópicos e disciplinas científicas, assim como com outras disciplinas acadêmicas;
·         A História expõe a natureza integrativa e interdependente das aquisições humanas (MATTHEWS, 1994, p. 50. Apud PRESTES e CALDEIRA, 2009).

Por outro lado, Martins e Ferreira, (ano?) relatando os resultados de pesquisa realizada por Martins, 2007, evidenciam a existência de um “abismo” entre o valor atribuído à História e Filosofia da Ciência e sua efetiva utilização, com qualidade, como conteúdo e estratégia didática nas salas de aula do Nível Médio (MARTINS, 2007).
Na sequência, as principais respostas dadas pelos professores Quando perguntados acerca das dificuldades para se trabalhar com a perspectiva histórico-filosófica no Nível Médio (em ordem decrescente de número de citações):
           ·          A falta de material didático adequado; a pouca presença desse tipo de conteúdo nos livros existentes;
           ·          O currículo escolar voltado para os exames vestibulares; os conteúdos exigidos pelas escolas;
           ·          O pouco tempo disponível para isso;
           ·          Vencer a resistência dos alunos e da própria escola, apegados ao ensino “tradicional”;
           ·          A formação dos professores; a falta de preparo do professor;
           ·          O pouco interesse dos alunos;
           ·          O planejamento e a execução das aulas em si; a possibilidade de a aula ficar “cansativa” ou “monótona”;
            ·          A falta de interesse ou vontade do professor;
           ·          O pouco hábito de leitura dos alunos; a dificuldade dos textos;
           ·          A falta de interdisciplinaridade;
           ·          O custo dos livros.
(MARTINS, 2007)

        Conclusão

O processo de ensino-aprendizagem das ciências se apresenta como um tema repleto de questionamentos, assim como demandas relacionadas a novas abordagens pedagógicas. O uso de novas tecnologias, contexto socioeconômico cultural e a busca por uma interdisciplinaridade integradora torna esse processo ainda mais complexo, tendo assim a obrigação de ser adaptável frente as exigências de cada geração a fim de facilitar o despertar para a educação científica.

        Verbetes

  §  Aprendizagem: 1. Capacidade de adquirir as habilidades necessárias para entender, interpretar e julgar o conhecimento científico; 2. Reconstruir em nível pessoal os produtos e processos culturais com o fim de se apropriar deles; 3. Exercício de comprar e diferenciar modelos, não aderir saberes absolutos e verdadeiros.
  §  Ensinar: Processo de transformação da mente de quem aprende;
  §  Ciência: 1. Processo socialmente definido de elaboração de modelos para interpretar a realidade; 2. Saber histórico e provisório.
  §  Conhecimento científico: Modelos e teorias elaboradas por cientistas para tentar dar sentido à realidade.

        Referências

BIZZO, Nélio. Ciências: fácil ou difícil? São Paulo, Ática, 1999.

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais 5ª a 8ªséries: Ciências Naturais. Brasília: MEC/SEF, 1998.

CHALMERS, A. F. O que é Ciência, afinal? São Paulo: Brasiliense, 1993.
Descrição do grupo de estudos sobre Educação Científica, Academia Brasileira de Ciências. (Acessado em 06 de fevereiro de 2014, em: http://www.abc.org.br/rubrique.php3?id_rubrique=89.)
MARTINS, A. F. P. História e filosofi a da ciência no ensino: há muitas pedras nesse caminho... Caderno Brasileiro de Ensino de Física, v. 24, n. 1, p. 112-131, 2007.

MARTINS, André Ferrer P.; FERREIRA, Juliana Mesquita Hidalgo. A história e a filosofia da ciência no ensino de ciências. (s/d).

MATTHEWS, M. R. Science teaching: the role of History and Philosophy of Science. New York: Routledge, 1994.

PRESTES, Maria Elice Brzezinski; CALDEIRA, Ana Maria de Andrade. Introdução. A importância da história da ciência na educação científica. Filosofia e História da Biologia, v. 4, p. 1-16, 2009.
PEREIRA, Elienae Genésia Corrêa; Lucia Rodriguez de La Rocque; Helena Amaral da Fontoura. Educação ambiental e o ensino de ciências: uma proposta de ampliação da ação docente. III Encontro Nacional de Ensino de Ciências da Saúde e do Ambiente Niterói/RJ, 2012.

Nenhum comentário:

Postar um comentário