Realizado pelos alunos: Marcelo Santino, Maria Luiza Cabral, Maria
Taciana Ralph, Tiago Alves, Wilma Oliveira.
EDUCAÇÃO AMBIENTAL (EA)- no cenário internacional e
nacional a partir da década de 80 houve um crescente aumento da preocupação com
o meio ambiente, devido ao desenvolvimento desenfreado das grandes nações à
custa da deterioração dos recursos providos pelo meio ambiente. Então, no
contexto brasileiro, em 1981 foi instituída a Política Nacional de Meio
Ambiente afirmando a necessidade de promover Educação Ambiental. Assim, surge a
EA como um processo educativo, estabelecido politicamente, que conduz a construção de
valores éticos e sua prática para a transformação da relação entre a sociedade
e o meio ambiente. Em EA, é
fundamental que a cooperação, responsabilidade, solidariedade, espírito crítico
e a valorização do conhecimento sejam levados em consideração, podendo ser
trabalhados em diferentes grupos, como famílias, escolas, bairros, igrejas etc.
Na EA, os valores que cada pessoa tem precisam ser avaliados
porque os valores guiam a ação e demandam esforços direcionados para uma meta.
Os valores tornam-se claros nas discussões, nas controvérsias e nos debates. É
por isso que esses elementos são muito importantes nos trabalhos de EA. O
diálogo não é um mero debate ou uma mera discussão, na verdade, o diálogo
possibilita ampliar o conhecimento e novas visões do mundo de todos os envolvidos,
permitindo uma análise crítica da forma de pensar, sentir e agir de todos os
interlocutores.
A partir das discussões e debates, o indivíduo e o coletivo tomam
consciência da situação do meio ambiente e desenvolvem habilidades para
intervir de modo qualificado na gestão do mesmo para então usufruir de seus
recursos de maneira sustentável, ou seja, garantindo o seu uso também pelas
futuras gerações. As habilidades garantem a tomada de decisões e atuação na
realidade socioambiental, com um comprometimento com a vida e o bem estar de
cada um e da sociedade, tanto a nível global como local.
Quanto ao tipo de EA, esta pode ser do tipo formal ou escolar a
qual se realiza na rede de ensino, através da atuação curricular, tendo como
referência pedagógica os Parâmetros Curriculares Nacionais do MEC e a Lei de
Diretrizes e Bases (LDB), tanto no planejamento quanto na execução de
currículos. Esse tipo de formação foi a proposta surgida inicialmente para
educação ambiental.
Por outro lado, a educação ambiental informal atua principalmente
através de campanhas populares que tem como objetivos a geração de atos e
atitudes que levem ao conhecimento e compreensão dos problemas ambientais e a
consequente sensibilização pública para a conservação dos recursos naturais, bem
como prevenção de riscos de acidentes ambientais e correção de processos
degenerativos da qualidade de vida na terra (poluições do ar e da água,
enchentes, chuvas ácidas, aumentos e temperatura ambiente etc.).
A educação ambiental pode ser classificada de várias formas,
levando em consideração determinadas categorizações. A canadense Lucy Sauvé
(1997) foi responsável por discutir algumas classificações, que podem ser
complementares entre si, por serem etapas do próprio processo de Educação
Ambiental. São elas:
1 - Educação sobre o meio
ambiente: A partir da transmissão de fatos, conteúdos e conceitos, são
adquiridos conhecimentos referentes à interação com o ambiente, onde
o meio ambiente se torna um objeto de aprendizado;
2 - Educação no meio ambiente:
É uma estratégia pedagógica onde o conhecimento é obtido a partir do
contato com a natureza, muitas vezes ao redor da escola ou comunidade.
Neste caso, o meio ambiente provê o aprendizado experimental, tornando-se
um meio de aprendizado;
3 - Educação para o meio
ambiente: processo através do qual se busca o engajamento ativo do
educando que aprende a resolver e prevenir os problemas ambientais. O meio
ambiente se torna uma meta do aprendizado.
Algumas expressões que ajudam a entendermos um pouco mais as
diferentes correntes que existem no interior dos movimentos ambientalistas:
Conservacionismo- É uma
corrente ideológica do fim do século XIX, surgida nos Estados Unidos e que
apresenta um posicionamento contra o desenvolvimentismo que é uma concepção que
defende o crescimento econômico a qualquer custo. Contempla o uso racional e
sustentável fazendo-o integrante deste processo. O desenvolvimento sustentável
trata-se de um desenvolvimento econômico que satisfaz as necessidades humanas
de recursos e minimiza seu impacto sobre a diversidade biológica e
sociocultural. Para que este desenvolvimento sustentável ocorra foi preciso
estabelecer leis regulamentando as atividades que afetam diretamente as
espécies e os ecossistemas limitando o uso dos recursos naturais de forma que
estes possam ser preservados. Outra corrente ideológica que é bastante
confundida com a conservação é o
Preservacionismo que aborda a
proteção da natureza independentemente do valor econômico. Possui um caráter
explicitamente protetor, propondo a criação de áreas intocadas pelo homem,
portanto não tendo interferência humana e sendo proibido o consumo ou a
exploração dos recursos.
Meio Ambiente- Segundo a
Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA), meio ambiente é o conjunto de
condições, leis, influências e interações de ordem física, química, biológica,
social, cultural e urbanística, que permite, abriga e rege a vida em todas as
suas formas. Meio ambiente pode ser definido também como um conjunto de
unidades ecológicas que funcionam como um sistema natural, e incluem toda a
vegetação, animais, micro-organismos, solo, água, rochas, atmosfera e fenômenos
naturais que podem ocorrer em seus limites. Meio ambiente também compreende
recursos e fenômenos físicos como ar, água e clima, assim como energia,
radiação, descarga elétrica, e magnetismo. Ecologicamente, o meio ambiente é
entendido como um quadro animado ou inanimado em que se desenvolve a vida de um
organismo. Apresenta uma série de fatores que atuam a partir do exterior e
produzem determinados efeitos sobre o mencionado organismo.
Os conceitos
anteriores tratam-se de conceitos restritos ao meio ambiente natural, sendo
inadequados, pois não abrangem de maneira ampla todos os bens jurídicos
protegidos. O conceito de meio ambiente deve ser globalizante, “abrangente de
toda a natureza, o artificial e original, bem como os bens culturais
correlatos, compreendendo, portanto, o solo, a água, o ar, a flora, as belezas
naturais, o patrimônio histórico, artístico, turístico, paisagístico e
arquitetônico”.
Dessa forma,
o conceito de meio ambiente compreende três aspectos, quais sejam: Meio
ambiente natural, ou físico, constituído pelo solo, a água, o ar atmosférico, a
flora; enfim, pela interação dos seres vivos e seu meio, onde se dá a
correlação recíproca entre as espécies e as relações destas com o ambiente
físico que ocupam; Meio ambiente artificial, constituído pelo espaço urbano
construído; Meio ambiente cultural, integrado pelo patrimônio histórico,
artístico, arqueológico, paisagístico, turístico, que, embora artificial,
difere do anterior pelo sentido de valor especial que adquiriu ou de que se
impregnou (SILVA, 2004, p. 21).
O Tratado de Educação Ambiental para
Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global, processo dinâmico em permanente
construção, considera que a
educação ambiental deve gerar, com urgência, mudanças na qualidade de vida e
maior consciência de conduta pessoal, assim como harmonia entre os seres
humanos e destes com outras formas de vida. Considera ainda que a EA deve tratar as questões globais
críticas, suas causas e inter-relações em uma perspectiva sistêmica, em seu
contexto social e histórico. Aspectos primordiais relacionados ao
desenvolvimento e ao meio ambiente, tais como população, saúde, paz, direitos
humanos, democracia, fome, degradação da flora e fauna, devem se abordados
dessa maneira.
Esse Tratado
faz referência a sociedades que podem de alguma forma melhorar suas relações
com a natureza, firma responsabilidade com todas as pessoas de todas as partes
do mundo, comprometidos com a proteção da vida na Terra. A Carta da Terra, uma declaração de princípios éticos
fundamentais para a construção, no século 21, de uma sociedade global justa,
sustentável e pacífica se preocupa com a transição para maneiras sustentáveis
de vida e desenvolvimento humano sustentável, e deixa claro em um de seus objetivos
que devem-se construir sociedades
democráticas que sejam justas, participativas, sustentáveis e pacíficas.
Para mais
informações acesse:
BIBLIOGRAFIA
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Ex-URSS
Conferência Sub-regional de Educação Ambiental para a Educação
Secundária. 1976 / Chosica - Peru
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In: QUINTAS, J.S. (Org.) Pensando e praticando a educação ambiental na gestão
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Ministério Da Educação - Conselho Nacional De Educação Conselho
Pleno. Resolução CNE/CEB nº 02/12 - Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental, Art.
2°
Ministério da Educação - Secretaria de Educação Continuada,
Alfabetização e Diversidade (Secad/MEC). Educação Ambiental: aprendizes da
sustentabilidade. Brasília. 2007
Ministério do Meio Ambiente. Secretaria de Articulação
Institucional e Cidadania Ambiental. Departamento de Educação Ambiental. Os
diferentes Matrizes da educação ambiental no Brasil: 1997-2007. Brasília: MMA.
2008.
MOUSINHO, P. Glossário. In: Trigueiro, A. (Coord.) Meio ambiente
no século 21.Rio de Janeiro: Sextante. 2003.
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QUINTAS, J. S., Salto para o Futuro, 2008.
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http://www.mundoeducacao.com/biologia/preservacao-ambiental.htm Data de acesso: 02/01/2014;
http://ambientedomeio.com/2007/07/29/conceito-de-meio-ambiente/ Data de acesso: 04/01/2013;
http://www.oab.org.br/editora/revista/revista_08/anexos/o_meio_ambiente_na_constituicao_federal.pdf/ Data de acesso: 15/02/2014.
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