Realizado pelos alunos: Gilvânio Oliveira e Erick Andrade.
“Aprender a aprender, e a fazer”;
nesse conceito se baseia o que vamos estudar tratando da Aquisição de
Procedimentos como meta essencial da educação.
Em uma sociedade em que os conhecimentos e as demandas formativas mudam com
muita rapidez, é essencial que os futuros cidadãos sejam aprendizes eficazes e
flexíveis, dotados de procedimentos e capacidades de aprendizagem que lhes
permitam adaptar-se a essas novas demandas.
Hoje em dia, o ensino de
ciências precisa adotar como um de seus
objetivos principais a prática de ajudar os alunos a aprender e a fazer
ciências.
A distinção entre “saber fazer” e a “saber dizer”, conhecimento procedimental e conhecimento
declarativo, respectivamente, se baseia na ideia de que as pessoas veem o mundo
de duas formas. Por um lado, sabemos dizer coisas sobre a realidade física e
social; por outro, sabemos fazer coisas que afetam essas realidades. O
conhecimento declarativo é facilmente verbalizado, pode ser adquirido por
exposição verbal e geralmente é consciente. Por outro lado, nem sempre somos
capazes de verbalizar o conhecimento procedimental, ele é adquirido mais
eficazmente por meio de ação e às vezes ocorre de maneira automática, sem que
sejamos conscientes dele.
Para melhor compreensão da aquisição
do conhecimento procedimental, é necessário fazer uma distinção entre as quatro
fases principais que vão da "técnica"
à "estratégia", assim como entender
os conceitos de "problema"
e "exercício"; bem como
recorrer a estas para a solução de tarefas que estão presentes no ensino de
ciências.
O treinamento técnico é adquirido a partir da ação
repetitiva de resolução de exercícios.
São as duas primeiras fases:
- Declarativa ou de instrução: Proporcionar instruções detalhadas da
sequência de ações que deve ser realizada;
- Automatização
ou consolidação: proporcionar prática repetitiva necessária para que o
aluno automatize a sequência de ações que deve realizar supervisionando sua
execução.
A estratégia é essencial e a mais importante fase de
treinamento para melhor compreensão do problema
por parte do aluno; consiste em descobrir, analisar, escolher, compreender e
refletir nos meios pelos quais chegar a uma conclusão final do problema, e como afeta a realidade cotidiana
deste indivíduo. São as duas últimas fases.
- Generalização ou transferência do conhecimento: colocar o aluno
para enfrentar situações cada vez mais novas e abertas de maneira que ele seja levado
a tomar cada vez mais decisões;
- Transferência do controle: Promover no aluno a autonomia no
planejamento, na supervisão e na avaliação da aplicação de seus procedimentos.
A função última de todo professor- e seu verdadeiro sucesso
educacional- consiste em tornar-se cada vez mais desnecessário, porque o aluno
vai conseguindo fazer sozinho o que antes somente conseguia fazer com a ajuda
do professor. -Vygotsky (1978)
Exercício se caracteriza pela ação em que não há uma
contextualização da tarefa, nem exige uma reflexão do aluno em relação ao
abordado; trabalha com a repetição para alcançar uma automatização como meio de
chegar à solução (por exemplo, a aplicação decorada de uma fórmula para
solucionar uma equação, sem saber em qual contexto físico se aplica). O
interesse passa a ser o produto final do trabalho que o aluno está realizando,
uma vez que o meio para alcançar este é executado automaticamente.
Entende-se por problema a tarefa que exige do aluno uma
análise contextual, por ser uma tarefa aberta, exige deste uma
interpretação. É a maneira pela qual se
chega ao resultado final que interessa; como se aplica o conhecimento. Exige do
aluno uma reflexão sobre o tema abordado, a partir de uma contextualização do
problema. Este que permite várias vias para alcançar o resultado, e até mesmo
mais de um resultado possível.
A estrutura procedimental do
currículo de ciências pode ser organizada a partir de procedimentos para as
atividades de aprendizagem.
1.
Aquisição da informação
2.
Interpretação da
informação
3.
Análise da
informação e realização de inferências
4.
Compreensão e organização conceitual da informação
5.
Comunicação da informação
Problemas - Os três tipos de problemas aqui representados têm
um objetivo comum introduzir o aluno nos procedimentos para fazer ciência
·
Qualitativos- são problemas abertos, nos quais
se deve predizer ou explicar um fato, analisar situações cotidianas e
científicas e interpretá-las a partir dos conhecimentos pessoais e/ou do marco
conceitual que a ciência proporciona.
·
Quantitativos- são problemas nos quais o aluno
deve manipular dados numéricos e trabalhar com eles para chegar a uma solução,
mesmo que ela possa não ser quantitativa.
·
Pequenas pesquisas- são atividades que o aluno
deve desenvolver para obter respostas para um problema por meio de um trabalho
prático, tanto no laboratório escolar como fora dele. Estas tarefas têm como
objetivo a aproximar o aluno, mesmo que seja de uma forma muito simplificada,
do trabalho científico mediante a observação e a formulação de hipóteses, ao
mesmo tempo em que potencializam diversos procedimentos de trabalho.
No currículo de ciências (nos
anos finais do ensino fundamental e ensino médio) são enfatizados os
procedimentos de fazer ciência, e não os de aprendê-la. Em outras palavras, os
procedimentos estão centrados mais na metodologia da ciência do que nos
processos por meio dos quais ela é aprendida. Insiste-se na aplicação de
modelos, e não na geração desses modelos por partes dos alunos. Existe o risco
de se interpretar que o ensino de procedimentos serve, nesta área, para
“aplicar” ou “demonstrar” conhecimentos mais do que para gerá-los ou
construí-los. Ao aprender ciência, os alunos devem utilizar procedimentos que
estejam próximos aos que utiliza um cientista em suas pesquisas (formular e
comprovar hipóteses, medir, contrastar modelos, etc.), mas também devem
utilizar outros procedimentos específicos já não da ciência, mas da
aprendizagem escolar, para ler e compreender os textos científicos, decodificar
gráficos, comunicar suas ideias e
conhecimentos, etc. esses procedimentos gerais também devem receber um
tratamento especifico no currículo de ciências caso se queira que os alunos
consigam utilizá-los em seu aprendizado.
Referência:
A Aprendizagem e o Ensino de Ciências- Do Conhecimento
Cotidiano ao Conhecimento Científico. POZO e CRESPO, 5ª Edição, Editora Penso.
2005, Cáp. 3.
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