segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

AQUISIÇÃO DE PROCEDIMENTOS

             Realizado pelos alunos: Gilvânio Oliveira e Erick Andrade.

“Aprender a aprender, e a fazer”; nesse conceito se baseia o que vamos estudar tratando da Aquisição de Procedimentos como meta essencial da educação.
Em uma sociedade em que os conhecimentos e as demandas formativas mudam com muita rapidez, é essencial que os futuros cidadãos sejam aprendizes eficazes e flexíveis, dotados de procedimentos e capacidades de aprendizagem que lhes permitam adaptar-se a essas novas demandas.
                Hoje em dia, o ensino de ciências precisa adotar  como um de seus objetivos principais a prática de ajudar os alunos a aprender e a fazer ciências.
A distinção entre “saber fazer” e a “saber dizer”, conhecimento procedimental e conhecimento declarativo, respectivamente, se baseia na ideia de que as pessoas veem o mundo de duas formas. Por um lado, sabemos dizer coisas sobre a realidade física e social; por outro, sabemos fazer coisas que afetam essas realidades. O conhecimento declarativo é facilmente verbalizado, pode ser adquirido por exposição verbal e geralmente é consciente. Por outro lado, nem sempre somos capazes de verbalizar o conhecimento procedimental, ele é adquirido mais eficazmente por meio de ação e às vezes ocorre de maneira automática, sem que sejamos conscientes dele.
Para melhor compreensão da aquisição do conhecimento procedimental, é necessário fazer uma distinção entre as quatro fases principais que vão da "técnica" à "estratégia", assim como entender os conceitos de "problema" e "exercício"; bem como recorrer a estas para a solução de tarefas que estão presentes no ensino de ciências.
O treinamento técnico é adquirido a partir da ação repetitiva de resolução de exercícios. São as duas primeiras fases:
- Declarativa ou de instrução: Proporcionar instruções detalhadas da sequência de ações que deve ser realizada;
- Automatização ou consolidação: proporcionar prática repetitiva necessária para que o aluno automatize a sequência de ações que deve realizar supervisionando sua execução.

A estratégia é essencial e a mais importante fase de treinamento para melhor compreensão do problema por parte do aluno; consiste em descobrir, analisar, escolher, compreender e refletir nos meios pelos quais chegar a uma conclusão final do problema, e como afeta a realidade cotidiana deste indivíduo. São as duas últimas fases.
- Generalização ou transferência do conhecimento: colocar o aluno para enfrentar situações cada vez mais novas e abertas de maneira que ele seja levado a tomar cada vez mais decisões;
- Transferência do controle: Promover no aluno a autonomia no planejamento, na supervisão e na avaliação da aplicação de seus procedimentos.

A função última de todo professor- e seu verdadeiro sucesso educacional- consiste em tornar-se cada vez mais desnecessário, porque o aluno vai conseguindo fazer sozinho o que antes somente conseguia fazer com a ajuda do professor. -Vygotsky (1978)

Exercício se caracteriza pela ação em que não há uma contextualização da tarefa, nem exige uma reflexão do aluno em relação ao abordado; trabalha com a repetição para alcançar uma automatização como meio de chegar à solução (por exemplo, a aplicação decorada de uma fórmula para solucionar uma equação, sem saber em qual contexto físico se aplica). O interesse passa a ser o produto final do trabalho que o aluno está realizando, uma vez que o meio para alcançar este é executado automaticamente.
Entende-se por problema a tarefa que exige do aluno uma análise contextual, por ser uma tarefa aberta, exige deste uma interpretação.  É a maneira pela qual se chega ao resultado final que interessa; como se aplica o conhecimento. Exige do aluno uma reflexão sobre o tema abordado, a partir de uma contextualização do problema. Este que permite várias vias para alcançar o resultado, e até mesmo mais de um resultado possível.
A estrutura procedimental do currículo de ciências pode ser organizada a partir de procedimentos para as atividades de aprendizagem.
1.       Aquisição da informação
2.        Interpretação da informação
3.        Análise da informação e realização de inferências
4.       Compreensão e organização conceitual da informação
5.       Comunicação da informação

Problemas - Os três tipos de problemas aqui representados têm um objetivo comum introduzir o aluno nos procedimentos para fazer ciência
·         Qualitativos- são problemas abertos, nos quais se deve predizer ou explicar um fato, analisar situações cotidianas e científicas e interpretá-las a partir dos conhecimentos pessoais e/ou do marco conceitual que a ciência proporciona.
·         Quantitativos- são problemas nos quais o aluno deve manipular dados numéricos e trabalhar com eles para chegar a uma solução, mesmo que ela possa não ser quantitativa.
·         Pequenas pesquisas- são atividades que o aluno deve desenvolver para obter respostas para um problema por meio de um trabalho prático, tanto no laboratório escolar como fora dele. Estas tarefas têm como objetivo a aproximar o aluno, mesmo que seja de uma forma muito simplificada, do trabalho científico mediante a observação e a formulação de hipóteses, ao mesmo tempo em que potencializam diversos procedimentos de trabalho.
No currículo de ciências (nos anos finais do ensino fundamental e ensino médio) são enfatizados os procedimentos de fazer ciência, e não os de aprendê-la. Em outras palavras, os procedimentos estão centrados mais na metodologia da ciência do que nos processos por meio dos quais ela é aprendida. Insiste-se na aplicação de modelos, e não na geração desses modelos por partes dos alunos. Existe o risco de se interpretar que o ensino de procedimentos serve, nesta área, para “aplicar” ou “demonstrar” conhecimentos mais do que para gerá-los ou construí-los. Ao aprender ciência, os alunos devem utilizar procedimentos que estejam próximos aos que utiliza um cientista em suas pesquisas (formular e comprovar hipóteses, medir, contrastar modelos, etc.), mas também devem utilizar outros procedimentos específicos já não da ciência, mas da aprendizagem escolar, para ler e compreender os textos científicos, decodificar  gráficos, comunicar suas ideias e conhecimentos, etc. esses procedimentos gerais também devem receber um tratamento especifico no currículo de ciências caso se queira que os alunos consigam utilizá-los em seu aprendizado.

Referência:

A Aprendizagem e o Ensino de Ciências- Do Conhecimento Cotidiano ao Conhecimento Científico. POZO e CRESPO, 5ª Edição, Editora Penso. 2005, Cáp. 3.

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